O terreno objecto deste concurso possui pendentes acentuadas que muito condicionam a implantação de qualquer edifício para o uso proposto. Esta condição, associada à morfologia urbana envolvente, acaba por quase determinar a implantação do conjunto.

Por outro lado, o edifício que acolhe o Centro de Apoio à Terceira Idade, sugere a continuidade numa frente construída, ainda que num plano mais avançado relativamente à rua, de modo a permitir a libertação de espaço exterior junto ao alçado sudoeste daquele edifício, promovendo assim uma articulação dinâmica dos espaços de uso público. Também a criação de uma frente construída contínua junto ao arruamento serve de remate à construção urbana existente, a qual, do outro lado, se implanta obliquamente.

A reconfiguração dos espaços públicos assim proposta permite a criação de novos percursos pedonais em áreas mais abertas e o prolongamento da bancada que dá apoio à pista de atletismo, completando-a agora em definitivo.

A “localização” do edifício no terreno permite ainda resolver de uma forma relativamente simples a dupla pendente que desenha a topografia.

Recinto e edificado são entendidos como um todo. À face da rua é construída uma rampa, delimitada por muros, que permite o acesso automóvel do nível do terreno às áreas de estacionamento situadas na cave. Este volume funciona como um verdadeiro “muro”, visualmente “espesso”, que suporta e define fisicamente um dos lados da parcela construída. Os outros lados são limitados pelo próprio edifício e por muros “construídos” nos topos.

Esta forma de dispor o conjunto permite baixar a cota de implantação do edifício, reduzindo o seu impacto volumétrico, reforçando a horizontalidade com que se pretende caracterizar a sua imagem.

O acesso às habitações a partir da rua é feito por pequenas “pontes” que unem o passeio às entradas construídas sobre o acesso ao estacionamento. Nos pontos de intercepção com as entradas a fachada do edifício recua apenas no piso térreo. A excepção acontece no primeiro módulo, quando este recuo de faz em todos os pisos, dando assim origem a uma referência que permite a identificação do módulo gerador de toda a composição.

O corpo da habitação, colocado sobre o recinto que modela o terreno, é integralmente revestido com estores de alumínio de modo a garantir uma imagem homogénea e neutra que, ao acentuar a dimensão horizontal, acaba por iludir a “verdadeira” escala do conjunto. Os vãos são normalizados em duas únicas dimensões: módulo simples em todos os compartimentos excepto nas salas, onde se torna duplo.

Do outro lado, no alçado sudoeste a neutralidade da fachada é invadida por “consolas” (lavandaria/estendais) que introduzem um outro ritmo na composição, constituindo uma espécie de “padrão” plástico que se estabelece na continuidade com o edifício do Centro de Dia.

O projecto contempla, para além do edifício de habitação já mencionado, uma pequena sala de condomínio associada a um espaço exterior coberto de uso colectivo, um estacionamento em cave com uma capacidade de 60 lugares e um conjunto de arrecadações.

O número total de habitações é de quarenta unidades, vinte do tipo T1 e vinte do tipo T2.

credits

architect: João Álvaro Rocha  |  collaborator: Alberto Barbosa Vieira, Armando Viana, Helena Limas, Hugo Natário, João Ventura Lopes  |  status: Competition (2008)  |  clasification: selected  |  structural engineer: Póvoas & Associados  |  landscape: Maria João Trigo, Manuel Pedro Melo  |  visualizer: Studio  |  budget: 2.812.500 €   |  scale: 3.090 m2 large  |  ratio: 910,19 €/m2  |  types: housing, residential  |  views: 1.406