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Our work.
Collection.

Think small

A proposta assenta sobre um princípio de simplicidade, um só gesto integrador que pretende resolver todas as problemáticas urbanas e naturais do local. Pousamos um denso manto verde sobre a marginal que se adapta ao terreno. Abrem-se então uma série de pequenas fissuras nesta topografia no qual serão integrados equipamentos, espaços públicos, estacionamentos e percursos.

Propomos uma estratégia de religação da cidade à praia, de um modo natural e contínuo, que crie novas funcionalidades e abra campo para a exploração de novas potencialidades desta zona. Pretende-se libertar o espaço da praia da sazonalidade que lhe é inerente ao promover funções e estratégias que atraiam os comerciantes e população geral para o usufruto deste espaço. Assim se produz uma rede de actividades para além da época balnear, como desporto e actividades culturais e recreativas, integrando o elemento verde natural de um modo bastante presente. A alteração da Frente Marginal será feita, não através de elementos construídos de forma maciça, mas de elementos sobriamente integrados que sejam palco de actividades públicas e urbanas.

A frente marítima volta assim para o usufruto do peão e serão criadas condições de integração de todos os utilizadores, na óptica da acessibilidade universal. Esta proposta vem em continuidade com a intervenção no Forte de Santa Catarina, que impulsiona um movimento regenerador desta área da cidade com novas directivas e sob um novo paradigma. O espaço público, como substrato de qualidade de vida regional será tanto mais bem sucedido quanto mais variadas e dinâmicas sejam as actividades propostas.

Com uma estratégia de renaturalização da frente costeira pretende-se voltar a marginal para usufruto do peão e criar percursos apelativos e de excepção num espaço urbano que integra a Natureza.

Topografias habitadas

Tal como a expansão da cidade para o Bairro Novo criou uma nova fase na vida da cidade, aberta francamente ao turismo e ao lazer com os novos equipamentos e serviços pretende-se com esta proposta também criar um novo momento, um abrir de portas a uma consciência mais natural e de integração do Homem no meio natural.

Criam-se topografias habitadas, com usos que relevem a importância da área e incrementem o seu crescimento económico. Com o assentamento do manto verde surge um Parque Marginal de onde irrompem do terreno de forma orgânica os equipamentos e serviços. Estes unem-se sobre um esquema de coberturas verdes que reduzem o impacto visual geral da intervenção.

Nestas fissuras inserem-se subtilmente equipamentos  como espaços comerciais ou estacionamentos cobertos. Absorve-se nesta área de intervenção o Largo dos Caras Direitas, dignificando e aumentando a sua importância relativa na cidade com a colocação de serviços e estacionamento coberto. Isto permite a exploração lucrativa de áreas anteriormente inutilizadas e por sua vez dar origem a áreas de esplanadas associadas aos equipamentos comerciais. Pode-se aqui referir como exemplo o Edifício Transparente, no Porto, que ao atrair toda uma série de serviços de ócio e lazer criou uma nova polaridade na via de praia; ou ainda a intervenção das Portas do Mar, em Ponta Delgada, onde se implantou um amplo conjunto de comércio que conferem vida à via marginal a todas as horas do dia. Temos desta maneira um passeio marginal povoado de acontecimentos e actividades de lazer apoiados por uma nova faixa de equipamentos, um novo pólo de atractividade nocturna e diurna voltada ao mar.

A uma escala inferior estas topografias geradas permitem a integração de todo o mobiliário urbano: bancos, papeleiras, postos de pesca e luminárias. A iluminação pública de menor escala recorrerá a elementos de baixo consumo e auxiliados por captadores de energia solar.

O litoral verde

Reforçamos o elemento vegetal já presente numa estratégia de consolidação do areal e protecção da cidade de uma maneira eficaz da brisa marítima. Diferentes tratamentos da massa arbórea, em parque, bosque, corredores verdes de diferentes espécies originando um percurso surpreendente e ecossistemas que albergam uma fauna e flora próprias.

Esta proposta pretende demonstrar que a Figueira da Foz tem uma grande capacidade de reinvenção e integrar novo paradigma ecológico de conservação da Natureza. A mancha verde já existente na marginal é densificada, origina-se uma vegetação frondosa e luxuriante que introduz sombreamento aos percursos pedonais e barra a brisa marítima para o interior da cidade. No litoral, a vegetação é de extrema importância na fixação de areias e formação de dunas. Serão reintroduzidas espécies arbóreas e arbustivas autóctones do litoral centro Português, o Pinheiro (Pinus Pinaster); Palmeira (Phoenix Canariensis); Eruca Marítima (Cakile Maritum); Cardo-Marinho (Eryngium maritimum); Feno-das- Areias (Elymus farctus); Azinheira (Quercus rotundifolia); Estorno (Ammophila arenaria); Cordeirinho-da-Praia (Otanthus maritimus), que se caracterizam pela sua resistência à salinidade e à seca. Nos espaços verdes de percurso público serão também aplicados prados de alta resistência à seca e pisoteio, cujo sistema de rega advirá do reaproveitamento de águas pluviais.

No caso particular dos espaços públicos adjacentes à Avenida 25 de Abril – Praceta Zeca Afonso, Praceta Dr. Viana, Praceta Drª Perdigão, Praceta Comendador Silva teremos que, articulados na estratégia de arborização da Marginal, serão dotados cada um dos espaços de uma identidade diferenciada que apelem ao gosto e necessidades dos diferentes tipos de população. Uma das Pracetas poderá estar voltada para a prática de desportos juvenis com a colocação de rampas de skate – skate park. Uma das Pracetas voltar-se-á para os cidadãos idosos, com campos de jogos tradicionais como o Jogo da Malha ou Jogo de Bilros, bem como as tradicionais mesas de jogos de cartas e xadrez. Uma das outras Pracetas poderá ter uma função mais lúdica com uma pequena horta urbana de gestão privada dos condomínios circundantes, potenciando o uso do solo desta zona.

Com esta atitude propomos originar uma nova identidade para a totalidade da cidade, voltada para as práticas mais saudáveis, em relação com o espaço natural.